Olá Amigos e Leitores!

Posted: October 27, 2012 in Editora

Distribuímos no decorrer das páginas inúmeras informações a respeito de Edgar Allan Poe (1809-1849), autor sombrio que alcançou prestígio e admiração devido a seus contos e histórias de terror.

Boa leitura a todos!!

  • “Quão escuro um pesar! Mas quão bela a esperança!”
  • “Para se ser feliz até um certo ponto é preciso ter-se sofrido até esse mesmo ponto.”
  • “Mas assim como na ética, o mal é uma consequência do bem, assim, com efeito, da nossa alegria tem nascido a dor.”
  • “Só eu, só eu amei o amor de meus enganos.”
  • “A enorme multiplicação de livros, de todos os ramos do conhecimento, é um dos maiores males de nossa época.”
  • “Todas as obras de arte devem começar pelo final.”
  • “A felicidade não está na ciência, mas sim na aquisição da ciência.”
  • “Quando um louco parece completamente sensato, já é o momento de pôr-lhe a camisa de força.”
  • “A ciência não nos ensinou ainda se a loucura é ou não o mais sublime da inteligência.”
  • “Os que sonham de dia são conscientes de muitas coisas que escapam aos que sonham só de noite.”
  • “A beleza de qualquer classe em sua manifestação suprema excita inevitavelmente a alma sensitiva até fazer-lhe derramar lágrimas.”

Referência do texto: http://www.frasesfamosas.com.br/de/edgar-allan-poe.html

Referência da imagem: http://englishmaze.files.wordpress.com/2011/04/edgara-poe.jpg

 

Colaborador: Luana dos Santos

Símbolos das obras de Poe

Posted: November 9, 2012 in Fotos e Caricaturas

[Edgar_A.Poe_Eleonora.jpg]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências:

http://mafaldasuggia.files.wordpress.com/2011/12/edgar_allan_poe_by_sirxlem.jpg

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/71/Poe.jpg

http://1.bp.blogspot.com/-dl24eodfIdQ/Tq2F9a84IvI/AAAAAAAB47w/idlsz9tsbRQ/s1600/poe_1848dtype.jpg

http://2.bp.blogspot.com/-IyZyOAFG1oE/Tq2GD-pr6ZI/AAAAAAAB478/c3ZlTbBaujs/s1600/Red%2BNose%2BStudios%2BPoe.jpg

http://2.bp.blogspot.com/-yjM4PBUq8Uw/UJG9Ox0HEWI/AAAAAAAAA-E/6tTZHiTvsoY/s1600/GatoPreto1.jpg

http://1.bp.blogspot.com/_AegXxEmI_nw/SwFiIIgZ5sI/AAAAAAAAABw/1FmLTYN4rB0/s1600/Annabel.jpg

http://1.bp.blogspot.com/-ZCLkVGcnmCY/TfAxDqwFu8I/AAAAAAAABjM/oOUcBXv5OF8/s1600/QUADRO-1.jpg

http://1.bp.blogspot.com/_Cesoh-C0gOg/ScutqfBG_oI/AAAAAAAADfo/uyqA0D7zWl4/s1600-h/Edgar_A.Poe_Eleonora.jpg

Colaborador: Luana dos Santos; Celso Barrozo

Edgar Allan Poe Society

Posted: October 31, 2012 in Sociedade Poe

A Sociedade Poe

O Edgar Allan Poe Society of Baltimore foi oficialmente estabelecida após uma celebração comemorativa do aniversário de Poe em 19 de janeiro de 1923. As raízes da Sociedade Poe, no entanto, passar por uma série de organizações anteriores, chegando de volta mais do que 50 anos antes. Interesse em erigir um monumento que seria apropriado para a memória de Poe começou logo após a sua morte em 1849. O esforço, no entanto, seria mais difícil, tanto logisticamente e financeiramente, do que qualquer um esperava, e que seria 25 anos antes de ser executada. Principalmente através dos esforços de Miss Sara Sigourney Arroz (um professor da escola de Baltimore) e Poe Memorial Fund (fundada em 1865), o memorial foi erguido finalmente no canto de Westminster Presbyterian terra Enterrar (em Ruas Fayette e Greene) e dedicado em novembro 17, 1875. Entre aqueles que defender a causa eram membros do Edgar Allan Poe Literária Association (fundada em 1870, com Thomas B. mão como seu presidente) e que começou quase ao mesmo tempo como a Sociedade Literária Sorosis (mais tarde conhecido como Clube Literário da Mulher de Baltimore, 1907-1922). (Sorosis é uma palavra grega que significa uma união de muitos em um só. Capítulos nacionais começou em 1868.)

Antecipando o centenário de Poe, Poe o Memorial Associação foi criada em 1896, mas mais uma vez, que iria encontrar o seu caminho repleto de dificuldades, e eles perderam 1909 por quase uma década. A bela bronze estátua de Poe, criado por Sir Moses Ezequiel, acabou se tornando uma realidade. Apesar dos contratempos (incluindo um incêndio que destruiu a primeira estátua em 1913, um terremoto, que destruiu o segundo em 1915, a morte do artista, em 1917, um ano após a conclusão da estátua final, e da eclosão da Primeira Guerra Mundial, o que atrasou a remessa da estátua do outro lado do Atlântico) esta homenagem elegante artística foi finalmente revelado em Wyman Parque em 20 de outubro de 1921. (Ele agora pode ser visto na praça em frente à escola de direito da Universidade de Baltimore.) Pouco tempo depois, os membros da Associação Memorial Poe começou a patrocinar um programa anual, e logo se formou um grupo oficial chamado de Edgar Allan Poe Society of Baltimore. E assim, pode-se dizer que formamos um elo de uma cadeia que remonta a quase completamente próprio Poe.

Após a sua formação em 1923, a Edgar Allan Poe Society organizou uma série anual de programas públicos que incluíam configurações musicais de poemas de Poe, leituras de seus escritos, exposições de informações e recordações, e palestras sobre sua vida e obra. Em 4 de junho de 1938, a Sociedade Poe foi alertado por um artigo no The Baltimore Sun para a planejada destruição do bloco de casas entre Lexington e Ruas Saratoga, incluindo a casa onde Poe viveu em 1833-1835. A Sociedade rapidamente organizada para determinar qual foi a construção correta e para preservá-lo. Este objetivo foi alcançado substancialmente devido aos esforços de Maio Garrettson Evans e Dr. John C. francês. Uma placa de bronze foi erguida em 1940. A restauração completa foi iniciada em 1947, procedendo como fundos e engenhosidade permitidos.A Sociedade Poe, desde passeios a partir de 1950 até 1977, quando a responsabilidade para o museu foi assumido pela Comissão cidade de Baltimore para a Preservação Histórico e Arquitetônico (PACS).

Desde 1977, a Sociedade de Poe voltou seus esforços para focar a palestra anual comemorativa e publicações associadas. Além disso, continuamos a responder a pergunta que muitos relacionados com a vida de Poe e trabalha como nossos recursos permitem. Em um ano típico, a Sociedade Poe recebe dezenas de cartas de todo o mundo, particularmente de crianças em idade escolar que procuram orientação geral para os relatórios e outros projetos. A partir de 1997, no entanto, nosso principal meio de fornecer informações sobre Poe mudou para este website, que nos permite atingir um público muito maior do que qualquer outro meio à nossa disposição. O Edgar Allan Poe Society é uma organização legalmente constituída sem fins lucrativos, constituída no estado de Maryland. Nós não paga os funcionários, confiando unicamente em esforços voluntários.

Referência do texto : http://www.eapoe.org/society/psbhist.htm

Referência da imagem: http://kristipetersenschoonover.files.wordpress.com/2012/03/poe09.jpg

Colaborador: Luana dos Santos

Conheça também alguns dos Poemas de Poe, basta clicar no link:

 

Referência do texto: http://www.cswnet.com/~erin/eappoem.htm

Referência da imagem: http://prosaepolitica.files.wordpress.com/2012/06/o-corvo.jpg

 

Colaboradores: Luana dos Santos; Osmar Júnior; Celso Barrozo; Kaique Augusto; Harry

Escuridão e horror

Posted: October 29, 2012 in Vídeos de Terror

 

 

 

Referência: http://www.youtube.com/watch?v=KpbaeVgLpVc;

http://www.youtube.com/watch?v=po_T90CthjI;

http://www.youtube.com/watch?v=SnX8t4BTjlw

Colaboradores: Luana dos Santos

NOTAS PRELIMINARES
Se deve a POE a criação do gênero policial, com seus contos de raciocínio e dedução, cabe-lhe também o mérito de haver renovado e o romance de terror, de mistério e de morte, neles introduzindo o fator científico que lhes daria certo cunho de verossimilhança
de verdade. O gênero já existia e era fartamente difundido nas letras inglesas, alemãs e francesas. Já em 1764, com o seu Castelo de Otranto, Horace Walpole, romancista inglês, iniciava o gênero que se chamou “romance negro” ou “romance gótico” , talvez porque a
ação se situava quase sempre em velhos e mansões medievais. Clara Reeve secundou-o.
Mais tarde Anne Radcliffe enchia seus livros de cenas e personagens aterrorizantes. Lewis imprimia-lhe a marca do satanismo e Maturin, na França levava-o às raias da loucura e da fantasmagoria. Na Alemanha com João Paulo Richter perde-se ele pelo vago
e pelo poético imaginoso, com Hoffmann atinge os limites do maravilhoso fantástico. Na própria América do Norte, cuja literatura iniciava, Charles Brocken Brown transplanta para as terras do Novo Mundo as fantasmagorias e horrores dos romances de Anne
Radcliffe, completando-os com as obsessões e os terrores íntimos de seus personagens.
A influência do “romance negro” foi imensa na Inglaterra, França e na Alemanha. Pode-se encontrá-la em escritores Walter Scott, Byron, Shelley, cuja esposa, também escritora, criou o famoso personagem Frankenstein. O romantismo iria se aproveitar de muito dos
cenários e das emoções desencadeadas e até do fantástico e do maravilhoso de que os romancistas abusaram. Nodier, Victor Hugo, Jules Janin, Balzac não escaparam à influência do gênero.
Mas deve-se, na verdade, a Edgar Poe tê-lo renovado, e ter feito dele uma obra de arte e não um meio de desencadear terrores em leitores impressionáveis tirando-lhes o sono. Deu-lhe em primeiro lugar uma concentração de força explosiva que não existia nos demais autores que diluíam a força aterrorizante em romances enormes e por por demais atravancados de coisas inúteis, numa acumulação de crimes e episódios pavorosos que, pelo próprio excesso, perdiam a verossimilhança e a possibilidade de impressionar mais fundamente o leitor. Incapaz por natureza e pelas circunstâncias de sua vida de escrever longos romances, Poe aperfeiçoou-se na estória curta, no cujo valor reside especialmente na sua força concentrada. Mas o que distingue os seus contos do clássico conto ou romance de terror
é certa tônica de autenticidade e de realidade que predomina nas suas estórias.

Enquanto os demais autores descreviam um exterior, um medo que provinha do mundo sobrenatural, da fantasmagoria, um medo de cenografia teatral com alçapões, fumaça de enxofre e satanases chifrudos, rasgando risadas arrepiantes, descrevia um medo real, um
medo que estava dentro do personagem, um medo que estava dentro dele próprio, autor, porque eram os seus terrores, as suas fobias, os seus recalques, reais, autênticos e verdadeiramente existentes, que ele transfundia em seus personagens, que eram sempre projeções dele, Poe, e não criaturas tiradas do mundo objetivo. Não há conto algum de Poe que seja na na terceira pessoa. Ele é quem sempre fala, quem sempre ou quem está presente para ouvir a confissão deste ou daquele personagem. E é o seu “eu” repleto de terrores, de presságios, de complexos, de inibições, de males físicos e morais que se revela nas suas estórias de terror e de morte.
A morte da mãe, com redobradas hemoptises, deve ter pressionado fortemente a sensibilidade do menino, que já carregava consigo a hereditariedade alcoólica do pai; sua condição de filho adotivo dos Allan, de futuro incerto, depois da morte de Frances Allan e
das desavenças com John Allan; o vício do jogo e da embriaguez e mais tarde dos estupefacientes; o medo que sempre o dominou, de ficar louco, pois a debilidade mental da irmã Rosália fazia-o temer que também ele perdesse a inteligência aguda e viva que era
o seu orgulho, os ataques de adversários e invejosos; as condições de quase miséria em que quase sempre viveu; os seus complexos de origem sexual; tudo concorria para exacerbar-lhe a sensibilidade e povoar-lhe a mente de terrores intensos e alucinações. O medo, pois que existe nos seus contos é um medo real, autêntico, sentido, arraigado. O Prof. Boussoulas escreveu mesmo um trabalho a respeito do medo na obra de Edgar Poe. Maria Bonaparte, também, numa obra compacta e minuciosa, andou, com aquele carniçamento tão próprio dos psicanalistas e com todos os exageros da escola
freudiana, a explicar todas as implicações sexuais que existem nos contos de Poe, apesar de haver ele escrito uma obra que prima pela sua ausência de sensualidade, pela sua castidade, pela sua aversão as cenas de amor físico.
Mas em Poe sempre existiu uma dicotomia psíquica. Sua inteligência aguda, racionalista, em que se juntavam metafísica e física intuição poética em alto grau e raciocínio matemático, frio e desapaixonado, sempre procurava manter-se alerta, tornando-o capaz de apreciar os desenvolvimentos de seus terrores, de suas fobias, no momento mesmo em que se produziam. Era como um médico que sentia e diagnosticava os seus próprios males. Essa dicotomia marca a personalidade de Poe. Foi sempre um dilacerado, um homem dividido em duas naturezas: uma angelical e outra satânica.
Sua luta contra o vício da embriaguez, contra a dipsomania, foi luta de longos anos, conhecia a sua fraqueza e condenava-a. Personagens condenáveis, fracos, viciosos, de seus contos nunca são exaltados ou elogiado, mas lamentados, dignos de dó, e condenados a pagar com a morte os próprios vícios. Essa luta de seus “eus” encontra-se
fixada no seu conto “William Wilson”, que ele mesmo considerava dos melhores que produzira.
Os mistérios da mente, o mistério da morte constituem o tema principal dos contos de Poe. Os terrores que ele descreve com intensidade e impressionante realismo são terrores que se geram na mente do personagem, e a realidade ambiente é vista através desse
terror e por ele deformada. No seu livro Edgar Poe pour luimême, o escritor Jacques Cabau assinala que “o conto de Poe é contrário do conto de terror clássico. Em lugar de lançar um indivíduo normal num universo inquietante, Poe larga um individuo inquietante em um mundo normal. Nada acontece ao herói, ele é que acontece ao
mundo. Não é tomado por um horror exterior;não é o medo que dispara a neurose, mas a neurose que suscita o medo. O herói é medusado pela sua própria visão. Uma vez apanhado nos seus próprios mecanismos de fascinação, é arrastado para a engrenagem
da obsessão”.
Numa época em que começaram a desenvolver-se o magnetismo e o espiritismo, precisamente na América do Norte, não hesitou Poe em valer-se desses novos meios de criar sensação e não faltam em seus contos os casos de reencarnação, hipnotismo, ou mesmerismo, como se costumava chamar na ocasião. Mas em todos ou quase todos há sempre um mergulho em certas profundezas da alma humana, em certos estados mórbidos da mente humana, em recônditos desvãos do subconsciente. Por isso os psicanalistas lançam-se com afã ao estudo da obra de Poe, porque nela encontram
exemplos a granel para ilustrar suas demonstrações. Independentemente, porém, desses aspectos, o que há nela é um talento narrativo eficiente e impressivo, uma força criadora, realização artística, que explicam o ascendente enorme que em nossos dias exercem os contos de terror de Edgar Allan Poe.
O.M.

Referência da imagem: http://saladeleituraencantada.blogspot.com.br/

Referência do texto: http://pt.scribd.com/doc/103516558/Edgar-Allan-Poe-Notas-Preliminares

Colaboradores: Luana dos Santos, Djane Salles, Harry.

Conheça alguns dos contos de Poe, basta clicar no link:

 

Berenice

Dicebant mihi sodalez, si sepulchrum amicae visifarem, curas meas aliquantulum fore levatas. (meus companheiros me asseguravam que visitado o túmulo de minha amiga conseguiria, em parte, alívio para as minhas tristezas. N.T.)

Ebn ZAIAT

A DESGRAÇA É VARIADA. O infortúnio da terra é multiforme. Arqueando-se sobre o vasto horizonte como o arco-íris, suas cores são como as deste, variadas, distintas e, contudo, nitidamente misturadas . Arqueando-se sobre o vasto horizonte como o arco-íris! Como de um exemplo de beleza, derivei eu uma imagem de desencanto? Da aliança de paz, uma semelhança de tristeza? E que, assim como na ética o mal é uma consequência do bem, da mesma realidade, da alegria nasce a tristeza. Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as amarguras que existem agora têm sua origem nas alegrias que podiam ter existido.

Meu nome de batismo é Egeu. O de minha família não revelarei. Contudo não há torres no país mais vetustas do que as salas cinzentas e melancólicas do solar de meus avós. Nossa estirpe tem sido chamada de uma raça de visionários. Em muitos pormenores notáveis, do caráter da mansão familiar, nas pinturas do salão principal, nas tapeçarias dos dormitórios, nas cinzeladuras de algumas colunas de armas, porém, mais especialmente, na galeria de quadros no estilo da biblioteca e, por fim, na natureza muito peculiar dos livros que ela continha, há mais que suficiente prova a justificar aquela denominação.

Recordações de meus primeiros anos estão intimamente ligados àquela sala e aos seus volumes, dos quais nada mais direi. Ali morreu minha mãe. Ali nasci. Mas é ocioso dizer que não havia vivido antes, que a alma não tem existência prévia. Vós negais isto. Não discutamos o assunto. Convencido eu mesmo, não procuro convencer os demais. Sinto, porém, uma lembrança de formas aéreas, de olhos espirituais e expressivos, de sons musicais, embora tristes; uma lembrança que não consigo anular; uma reminiscência semelhante a uma sombra, vaga, variável, indefinida, inconstante; e como uma sombra, também, na impossibilidade de livrar-me dela, enquanto a luz de minha razão existir.

Foi naquele quarto que nasci. Emergindo assim da longa noite daquilo que parecia, mas não era, o nada, para logo cair nas verdadeiras regiões da terra das fadas, num palácio fantástico, nos estranhos domínios do pensamento monástico e da erudição. Não é de admirar que tenha lançado em torno de mim um olhar ardente e espantado, que tenha consumido minha infância nos livros e dissipado minha juventude em devaneios; mas é estranho que ao perpassar dos anos e quando o apogeu da maturidade me encontrou ainda na mansão de meus pais, uma maravilhosa inércia tombado sobre as fontes da minha vida maravilhosa, a total inversão que se operou na natureza de meus pensamentos mais comuns. As realidades do mundo me afetavam como visões, e somente como visões, enquanto que as loucas idéias da terra dos sonhos tornavam-se, por sua vez, não o estofo de minha existência cotidiana, na realidade, a minha absoluta e única existência.

Berenice e eu éramos primos e crescemos juntos, no solar paterno. Mas crescemos diferentemente: eu, de má saúde e mergulhado na minha melancolia; ela, ágil, graciosa e exuberante de energia. Para ela, os passeios pelas encostas da colina. Para mim, estudos do claustro. Eu, encerrado dentro do meu próprio coração e dedicado, de corpo e alma, à mais intensa e penosa meditação . Ela, divagando descuidosa pela vida, sem pensar em sombras no seu caminho, ou no vôo silente das horas de asas lutuosas. Berenice!

Quando lhe invoco o nome… Berenice!, das ruínas sombrias da memória repontam milhares de tumultuosas recordações. Ah, bem viva tenho agora a sua imagem diante de mim, como nos dias de sua jovialidade e alegria! Oh, deslumbrante, porém fantástica beleza! Oh, sílfide entre os arbustos de Arnheim! Oh, náiade à beira de suas fontes! E depois… depois tudo é mistério e uma estória que não deveria ser contada.

Uma doença…uma doença – uma fatal doença – soprou como um símum sobre seu corpo. E precisamente quando a contemplava, o espírito da metamorfose arrojou-se sobre ela, invadindo-lhe a mente, os hábitos e o caráter e, da maneira mais sutil e terrível, perturbando-lhe a própria personalidade. Ai! O destruidor veio e se foi, e a vítima…onde está ela? Não a conhecia… ou não mais a conhecia como Berenice!

Entre a numerosa série de males acarretados por aquela fatal e primeira doença, que realizou tão horrível revolução no ser moral e físico de minha prima, pode-se mencionar, como o mais aflitivo e o mais obstinado, uma espécie de epilepsia, que não poucas vezes, terminava em catalepsia, muito semelhante à morte efetiva e da qual despertava ela, quase sempre, duma maneira assustadoramente subitânea.

Entrementes, minha própria doença aumentava, pois fora dito que para ela não havia remédio, e assumiu afinal um caráter de monomania, de forma nova e extraordinária, que, hora em hora, de minuto em minuto, crescia em vigor e por fim veio a adquirir sobre mim a mais incompreensível ascendência. Esta monomania, se assim posso chamá-la, consistia numa irritabilidade mórbida daquelas faculdades do espírito que a ciência metafísica denomina “faculdades da atenção”.

É mais que provável não me entenderem. Mas temo, deveras, que me seja totalmente impossível transmitir à mente do comum dos leitores uma idéia adequada daquela nervosa intensidade da atenção com que, no meu caso, as faculdades meditativas (para evitar a linguagem técnica) se aplicava e absorvia na contemplação dos mais vulgares objetos do mundo.

Meditar infatigavelmente longas horas, com a atenção cravada em alguma frase frívola, à margem de um livro ou no seu aspecto tipográfico, ficar absorto, durante a melhor parte dum dia de verão em contemplação duma sombra extravagante, projetada obliquamente sobre a tapeçaria, ou sobre o soalho; perder uma noite observar a chama inquieta duma lâmpada, ou as brasas de um fogão; sonhar dias inteiros com o perfume duma flor; repetir monotonamente, alguma palavra comum, até que o som, a repetição frequente, cesse de representar ao espírito a menor idéia; perder toda a sensação de movimento ou de existência física, em virtude de uma absoluta quietação do corpo, prolongada e obstinadamente mantida, tais eram as mais comuns e menos perniciosas aberrações, provocadas pelo estado de minhas faculdades mentais não, de fato, absolutamente sem exemplo, mas certamente desafiando qualquer espécie de análise ou explicação.

Sejamos, porém, mais explícitos. A excessiva, ávida e mórbida atenção assim excitada por objetos de seu natural triviais, não deve ser confundida, a propósito, com aquela propensão à meditação, comum a toda a humanidade e mais especialmente do agrado das pessoas de imaginação ardente. Nem era tampouco, como se poderia a princípio supor, um estado extremo, ou uma exageração de tal propensão, mas primária e essencialmente distinta e diferente dela . Naquele caso, o sonhador, ou entusiasta, estando interessado por um objeto, geralmente não trivial, perde, sem o perceber, de vista este objeto, através duma imensidade de deduções e sugestões deles provindas, até que, chegando ao fim daquele sonho acordado, muitas vezes repletos de voluptuosidade, descobre estar o incitamentum causa primária de suas meditações, inteiramente esvanecido e esquecido. No meu caso, o ponto de partida era invariavelmente frívolo, embora assumisse, por intermédio de minha visão doentia, uma importância irreal e refratária. Poucas ou nenhumas reflexões eram feitas e estas poucas voltavam, obstinadamente , ao objeto primitivo como a um centro. As meditações nunca eram agradáveis, e ao fim do devaneio, a causa primeira, longe de estar fora de vista atingira aquele interesse sobrenaturalmente exagerado que era a característica principal da doença. Em uma palavra: as faculdades da mente mais particularmente exercitadas em mim eram, como já disse antes, as da atenção, ao passo que no sonhador-acordado são as especulativas.

Naquela época, os meus livros, se não contribuíam eficazmente para irritar a moléstia, participavam largamente, como é fácil perceber-se, pela sua natureza imaginativa e inconsequente, das qualidades características da própria doença. Bem me lembro, entre outros, do tratado do nobre italiano, Coelius Secundus Curio de amplitudine beati regni dei; da grande obra de Santo Agostinho, A Cidade de Deus; do De Carne Christí, de Tertuliano, no qual a paradoxal sentença: Mortuus’ est Dei filius; credible est quia ineptum est; et sepultus resurrexít; certum est quia impossibíle est, absorveu meu tempo todo, durante semanas de laboriosa e infrutífera investigação.

Dessa forma, minha razão, perturbada, no seu equilíbrio por coisas simplesmente triviais, assemelhava-se àquele penhasco marítimo de que fala Ptolomeu Hefestião, o qual resistia inabalável a questão da violência humana e ao furioso ataque das águas e ventos, mas tremia ao simples toque da flor chamada asfódelo. E embora a um pensador desatento possa parecer fora de dúvida que a alteração produzida pela lastimável moléstia no estado mortal de Berenice fornecesse motivos vários para o exercício daquela intensa e anormal meditação, cuja natureza tive dificuldade em explicar, tal não se deu absolutamente.

Nos intervalos lúcidos de minha enfermidade, a desgraça que a feria me dava realmente pena e me afetava fundamente o coração aquela ruína total de sua vida alegre e doce. Por isso não deixava de refletir muitas vezes, com amargura, nas causas prodigiosas que tinham tão subitamente produzido modificação tão estranha. Mas essas  reflexões não participavam da idiossincrasia de minha doença, tais como teriam ocorrido em idênticas circunstâncias, à massa ordinária dos homens. Fiel a seu próprio caráter, meu desarranjo mental preocupava-se com as menos importantes porém mais chocantes mudanças operadas na constituição física de Berenice, na estranha e mais espantosa alteração de sua personalidade.

Posso afirmar que nunca amara minha prima, durante os dias mais brilhantes de sua incomparável beleza. Na estranha anomalia de minha existência, os sentimentos nunca me provinham do coração, e minhas paixões eram sempre do espírito. Através do crepúsculo matutino, entre as sombras estriadas da floresta, ao meio-dia no silêncio de minha biblioteca, à noite, esvoaçara ela diante de meus olhos e eu a contemplara, não como a viva e respirante Berenice, mas como a Berenice de um sonho; não como um ser da terra, um ser carnal, mas como a abstração de tal ser; não como uma coisa para admirar, mas para ser analisada; não como objeto para amar, mas como o tema da mais absoluta, embora inconstante, especulação. E agora.. . agora eu estremecia na sua presença e empalidecia ao vê-la aproximar-se; contudo, lamentando amargamente sua deplorável decadência, lembrei-me de que ela me havia amado muito tempo, e, num momento fatal, falei-lhe em casamento.

Aproximava-se, enfim, o período de nossas núpcias quando, numa tarde de inverno de um daqueles dias intempestivamente cálidos, sossegados e nevoentos, que são a alma do belo Alcíone, me sentei no mais recôndito gabinete da biblioteca. Julgava estar sozinho, mas erguendo a vista divisei Berenice, em pé, à minha frente. Foi a minha própria imaginação excitada, ou a nevoenta influência da atmosfera, ou o crepúsculo impreciso do aposento, ou as cinéreas roupagens que lhe caíam em torno do corpo, que lhe deu aquele contorno indeciso e trêmulo? Não sei dizê-lo. Ela não disse uma palavra e eu por forma alguma podia emitir uma só sílaba.

Um gélido calafrio correu-me pelo corpo, uma sensação de intolerável ansiedade me oprimia, uma curiosidade devoradora invadiu-me a alma , e recostando-me na cadeira, permaneci por algum tempo imóvel e sem respirar, com os olhos fixos no seu vulto. Ai! sua magreza era excessiva e nenhum vestígio da criatura de outrora se vislumbrava numa linha sequer de suas formas. O meu olhar ardente pousou-se afinal em seu rosto. A fronte era alta e muito pálida, e de uma placidez singular. O cabelo, outrora negro, de azeviche, caía-lhe parcialmente sobre a testa e sombreava as fontes encovadas com numerosos anéis, agora de um amarelo vivo, em chocante discordância, pelo seu caráter fantástico , com a melancolia que lhe dominava o rosto. Os olhos, sem vida e sem brilho, pareciam estar desprovidos de pupilas.

Desviei involuntariamente a vista daquele olhar vítreo para olhar-lhe os lábios delgados e contraídos. Entreabriram-se e, num sorriso bem significativo, os dentes da Berenice transformada se foram lentamente mostrando. Prouvera a Deus que eu nunca os tivesse visto, tendo-os visto, tivesse morrido!

O batido duma porta me assustou e, erguendo a vista, vi que minha prima havia saído do aposento. Mas do aposento desordenado do meu cérebro não havia saído, ai de mim!, e não queria sair o espectro branco de seus dentes lívidos. Nem uma mancha se via em sua superfície, nem uma pinta no esmalte, nem uma falha nas suas pontas, que aquele breve tempo de seu sorriso não houvesse gravado na minha memória. Via-os agora, mesmo mais distintamente do que os vira antes.

Os dentes!. . . Os dentes! Estavam aqui e ali e por toda parte, visíveis, palpáveis. diante de mim. Compridos, estreitos e excessivamente brancos, com os pálidos lábios contraídos sobre eles, como no instante mesmo do seu primeiro e terrível crescimento. Então desencadeou-se a plena fúria minha monomania e em vão lutei contra sua estranha e irresistível influência. Nos múltiplos objetos do mundo exterior, só pensava naqueles dentes. Queria-os com frenético desejo. Todos os assuntos e todos os interesses diversos foram absorvidos por aquela exclusiva contemplação.

Eles, somente eles estavam presentes aos olhos de meu espírito, e eles, na sua única individualidade, se tornaram a essência de minha vida mental. Via-os sob todos os aspectos. Revolvi-os em todas as direções. Observava-lhes as características. Detinha-me em todas as suas peculiaridades. Meditava em sua conformação refletia na alteração de sua natureza. Estremecia ao atribuir-lhe em imaginação, faculdades de sentimento e de sensação, e, do mesmo quando desprovidos dos lábios, capacidade da expressão moral. Dizia-se com razão, de Mademoisselle Sallé que: tous ses pas étaient de sentiments, e de Berenice que: tous ser dentr étaien des idées! (todos os seus passos eram sentimentos…todos o seus dentes idéias N.T.)

Ah, esse foi o pensamento absurdo que me destruiu, des idées! Ah, essa era a razão pela qual eu os cobiçava tão loucamente . Sentia que somente a posse deles me poderia restituir a paz para sempre, fazendo-me voltar a razão. E assim cerrou-se a noite em torno de mim. Vieram as trevas demoraram-se, foram embora. E o dia raiou mais uma vez e os nevoeiros de uma segunda noite de novo se adensaram em torno de mim. E ainda sentado estava, imóvel, naquele quarto solitário ainda mergulhado em minha meditação, ainda com o dentes mantendo sua terrível ascendência sobre mim, a flutuar com a mais viva e hedionda nitidez, entre as luzes mutáveis e as sombras do aposento. Afinal, explodiu em meio de meus sonhos um grito de horror e de consternação, ao qual se seguiu, depois de uma pausa, o som de vozes aflitas, entremeadas de surdos lamentos de tristeza e pesar.

Levantei-me e, escancarando uma das portas da biblioteca, vi, de pé, na antecâmara, uma criada, toda em lágrimas que me disse que Berenice havia. . . morrido! Sofrera um ataque epiléptico pela manhã e agora, ao cair da noite, a cova estava pronta para receber seu morador e todos os preparativos do enterro terminados.

Com o coração cheio de angústia, oprimido pelo temor, dirigi com repugnância, para o quarto de dormir da defunta. Era quarto vasto, muito escuro, e eu me chocava, a cada passo, com os preparativos do sepultamento. Os cortinados do leito, disse-me um criado, estavam fechados sobre o ataúde e naquele ataúde, acrescentou ele, em voz baixa, jazia tudo quanto restava de Berenice.

Quem, pois, me perguntou se eu não queria ver o corpo? Não vi moverem-se os lábios de ninguém; entretanto, a pergunta realmente feita e o eco das últimas sílabas ainda se arrastava pelo quarto. Era impossível resistir e, com uma sensação opressiva, dirigi-me a passos tardos para o leito. Ergui de manso as sombrias dobras das cortinas; mas, deixando-as cair de novo, desceram sobre meus ombros e, separando-me do mundo dos vivos, me encerraram na mais estreita comunhão com a defunta.

Todo o ar do quarto respirava morte; mas o cheiro característico do ataúde me fazia mal e imaginava que um odor deletério exalava já do cadáver. Teria dado mundos para escapar, para livrar-me da perniciosa influência mortuária, para respirar, uma vez ainda, o ar puro dos céus eternos. Mas, faleciam-me as forças para mover-me os joelhos tremiam e me sentia como que enraizado no solo contemplando fixamente o rígido cadáver, estendido ao comprido no caixão aberto.

Deus do céu! Seria possível? Ter-se-ia meu cérebro transviado? Ou o dedo da defunta se mexera no sudário que a envolvia? Tremendo de inexprimível terror, ergui lentamente os olhos para ver o cadáver. Havia-lhe-lhe amarrado o queixo com um lenço, o qual não sei como, se desatara. Os lábios lívidos se torciam numa espécie de sorriso, e por entre sua moldura melancólica os dentes de Berenice, brancos, luzentes, terríveis me fixavam ainda, com uma realidade demasiado vivida. Afastei-me convulsivamente, do leito, sem pronunciar uma palavra, como um louco, corri para fora daquele quarto de mistério, de horror e de morte.

Achei-me de novo sentado na biblioteca, e de novo ali estava só. Parecia que havia pouco despertara de um sonho confuso e agitado que era então meia-noite e bem ciente estava de que, desde o pôr do sol, Berenice tinha sido enterrada. Mas, durante esse tétrico intervalo, eu não tinha qualquer percepção positiva, ou definida. Sua recordação, porém, estava repleta de horror, horror mais horrível porque vindo do impreciso, terror mais terrível porque saído da ambiguidade. Era uma página espantosa do registro de minha existência , toda escrita com sombra e com medonhas e ininteligíveis recordações.

Tentava decifrá-la, mas em vão; e de vez em quando, como o espírito de um som evadido, parecia-me retinir nos ouvidos o grito agudo e lancinante de uma voz de mulher. Eu fizera alguma coisa; que era, porém? Fazia a mim mesmo tal pergunta em voz alta, e os ecos do aposento me respondiam: Que era? a mesa, a meu lado, ardia uma lâmpada e perto dela estava uma caixinha. Não era de forma digna de nota e eu frequentemente a vira antes, pois pertencia ao médico da família; mas, como viera ter ali, sobre minha mesa, e por que estremecia eu ao contemplá-la? Não valia a pena importar-me com tais coisas e meusolhos por fim caíram sobre as páginas abertas de um livro, na sentença nelas sublinhada.

Eram as palavras singulares, simples, do poeta Ebn Zaiat: Dícebant míhi sodales, si sepulchrum amicae visitarem, curas meus aliquantulum fore levatas. Porque então, ao lê-las, os cabelos de minha cabeça se eriçaram até a ponta, e o sangue de meu corpo se congelou nas veias?

Uma leve pancada soou na porta da biblioteca. E, pálido como o brilhante de um sepulcro, um criado entrou, na ponta dos pés. Sua fisionomia estava transtornada de pavor e ele me falou numa voz trêmula, rouca e muito baixa. Que disse? Ouvi frases truncadas. Falou-me de um grito selvagem que perturbara o silêncio da noite …todos em casa se reuniram. . . saíram procurando em direção ao som. E depois sua voz se tornou penetrantemente distinta, ao falar-me de um túmulo violado. . . de um corpo desfigurado, desamortalhado, mas que ainda respirava, ainda vivia!

Apontou para minhas roupas; estavam sujas de coágulos de sangue. Eu nada falava e ele pegou-me levemente na mão; gravavam-se nela os sinais de unhas humanas. Chamou-me a atenção para certo objeto encostado à parede: era uma pá.

Com um grito, saltei para a mesa e agarrei a caixa que nela se achava. Mas não pude arrombá-la; e, no meu tremor, ela deslizou de minhas mãos e caiu com força, quebrando-se em pedaços. E dela, com um som tintinante, rolaram vários instrumentos de cirurgia dentária, de mistura com trinta e duas coisas pequenas, como que de marfim, que se espalharam por todo o assoalho.

Referência do texto: http://pt.scribd.com/doc/6869033/Edgar-Allan-Poe-Contos-de-Terror;

Referência da imagem: http://docsouth.unc.edu/southlit/poe/menu.html

Colaboradores: Kaique Augusto; Celso Barrozo; Osmar Júnior.